Na tela se pinta,
na folha se escreve,
no tempo se molda.
No escuro me perco.
Sem gestos nada se cria, nada;
no silêncio tudo se escoa, tudo.
© Fausto Marsol

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As novas tecnologias têm ajudado a revolucionar o mundo – para o melhor e o pior, mas o balanço é, sem sombra de dúvida, bem positivo.

Bastante à margem das acentuadas mudanças operadas na nossa sociedade, tem estado o mercado literário e livreiro, que ou se reinventa ou entra numa ainda mais acentuada decadência.

Com honrosas excepções, os escritores ou não encontram resposta nas editoras ou são confrontados com contractos absurdos ou não conseguem receber sequer os parcos direitos que lhe são devidos pela venda das suas obras ou… ou…, num nunca mais acabar de obstáculos e problemas.

Pelo seu lado, as editoras são inundadas de originais aos quais não conseguem dar resposta – ou em prazo razoável -, sendo-lhes exigido ainda um cada vez maior esforço financeiro. Acrescem as distribuidoras que vão à falência umas atrás das outras, as livrarias que fecham todos os dias e as inúmeras feiras de livros em saldo para escoar stokes – desvalorizando obras e autores.

Mais de dez anos passados sobre a saída do meu romance, ai, adeus!, e após a publicação já de três obras (uma das quais também em Espanha), decidi ser chegado o momento de me constituir em autor-editor - coisa que as novas tecnologias hoje permitem com relativa facilidade -, procurando, deste modo, encontrar uma alternativa ao panorama vigente.

No actual sistema, o autor, sendo quem, afinal, justifica a existência de todo o negócio o que o livro gera, tem sido o elo mais fraco da cadeia e a parte que menos beneficia com as suas publicações – excepção feita, claro, ao prazer de ver as suas obras editadas.

Caril e Outras Receitas Amorosas, o meu livro de contos gastronómicos, saído em Outubro de 2013, foi já edição minha e, apesar de comercializado fora dos circuitos mais tradicionais e não distribuído maciçamente, justificou a aposta, abrindo assim caminho para esta nova etapa.

A tecnologia de print-on-demand (pequenas tiragens) e do e-book, a internet e a evolução dos sistemas de transporte, permitem que o leitor receba hoje comodamente em sua casa – e em segurança - a obra que pretende em não mais do que 2 / 3 dias, sem que sequer os custos sofram significativos agravamentos – seja em papel ou em formato electrónico.

A vida é um somatório de ganhos e perdas, como o progresso o é também. Conheço o prazer da ida a uma livraria, do folhear do livro, da tentação da compra a partir da leitura de alguns capítulos, como conheço também o amargo de receber de volta um livro manuseado, que nunca foi pago, nem poderá sem vendido.

A grande maioria dos leitores desconhece que o livro é (talvez) o único produto que pode ser devolvido meses depois da sua recepção ou compra, sem qualquer encargo para o posto de venda (livraria ou outro), mesmo de transportes; nunca terá pensado que é necessário imprimir umas largas centenas de livros para cobrir o país, de modo a ter um exemplar que seja nas principais livrarias, e que os livros são feitos de papel, cuja pasta vem das árvores. Para já não abordar a questão financeira e os seus meandros – assunto muito melindroso, que leva muitos autores a saltarem de editora em editora.

Mas ponhamos antes a tónica na questão da independência e da liberdade criativa do autor quando se constitui, simultaneamente, em editor, porque foi esse o factor mais determinante.

Este site pretende ser, assim, a minha montra enquanto autor, contendo, para além dos meus livros disponíveis para venda, também Fotografias, Poemas e um espaço que designei por Palavras sobre Paisagens – em jeito de embrião de futuros projectos. Espero que seja também um espaço de comunicação bidireccional com os leitores, que dispõem aqui da possibilidade de comunicarem comigo.

Obrigado por me ter visitado: aqui ficam as minhas boas vindas.  

                                                                        

                                                                                                                                                                                                Fausto Marsol


 

 

 

Comentários

COMENTÁRIOS SOBRE O LIVRO

João Duque:

“Chamasse-se ele Jack ou Michael e atirar-se-iam aos seus pés, chamando-lhes de gurus. Mas se se chamam Fausto e escrevem arrojadamente sobre um clássico da literatura de liderança e com base na sua experiência organizacional, o português tem uma certa tendência para o descartar.

Fazem mal, porém, os que assim reagem perante o livro escrito pelo Fausto Marsol, intitulado "Maquiavel para Gestores Contemporâneos"

 (…) Vão ver que, ao contrário de muito do que lêem escrito por tantos desses gurus da moda, não darão o tempo por perdido e ainda são desafiados a ler ou reler o original de Maquiavel.” – Extracto do Artigo do Prof. Catedrático João Duque, Presidente do Inst. Sup. de Economia e Gestão (Lisboa), sobre a obra, publicado no D.  Económico de 24/9/09  http://livrosavoltadomundo.blogs.sapo.pt/62660.html

 

Daniel Bessa:

"É um livro profundamente ético."

"O livro tem um enredo (...) em que a certa altura nós nos vemos transpostos de considerações de índole mais ou menos filosófica sobre o homem e natureza humana para um campo que é mais e mais aplicado às situações da gestão e às situações dos dias de hoje.

O texto começa muito ligado a uma perspectiva filosófica e vai-se progressivamente aproximando da gestão (...); o texto vai-se libertando de Maquiavel e o autor emergindo mais e mais e assim mais se mostrando. (...) É uma forma de escrita absolutamente diferente, deliciosa, muito interpelativa  - que é um traço distintivo que se mantém durante toda a obra -; é uma agradável surpresa!

Há no livro imagens que são deliciosas: a dos dinossauros (...), a das abelhas - pelo que elas simbolizam - (...), a dos cata-ventos (...), mas a de que mais gostei foi a da do outro Nicolau, Copérnico, e a revolução coperniciana, a revolução que tem de ser feita na relação entre as empresas e os seus clientes.

Eu aprendi muito, gostei de ler a obra e foi-me extremamente útil. Convido-vos a ler o Príncipe da Gestão por cinco ou seis razões: pela obra no seu conjunto; por Maquiavel; pelo estilo muito criativo, que eu acho delicioso; e por três ou quatro episódios, imperdíveis, de que tenho certeza absoluta que, por muitos anos que viva, não irei deixar nunca de me lembrar." - Extracto da Apresentação de Daniel Bessa, Catedrático de Economia da Universidade do Porto, Presidente Escola de Gestão do Porto e ex Ministro da Economia de Portugal, em 9 de Novembro de 2005.

 

Antonio Caetano:

"Antes de mais, trata-se de um livro original e, como diria Garrett,  palpitante de actualidade. E a própria leitura do livro é extremamente aliciante, é um prazer lê-lo, tem um ritmo de leitura agradável e um estilo  muito interessante que, como diria Pessoa, ao princípio se estranha e depois se entranha.

Para além d´ O Príncipe da Gestão, em boa medida, este livro poderia chamar-se O Príncipe da Originalidade porque, apesar de se basear no Maquiavel e de dele se alimentar - talvez 20% seja de Maquiavel -, é extremamente original na forma como se desenvolve - além de actualizar uma série de aspectos a que, obviamente, Maquiavel não se refere, dando  continuidade ao Príncipe.

Ao longo do texto, o autor, vai desmontando umas quantas das principais  práticas de gestão - que poderíamos chamar como modas -, que se têm vindo a generalizar-se nos últimos anos (...), como a do outsourcing, por exemplo, que, neste momento, algumas empresas já começaram a questionar, embora a maioria ainda continue nessa onda.

Numa leitura global do livro, eu diria que o que nós temos é, acima de tudo, a expressão do que eu chamaria uma dialéctica entre a vertente maquiavélica e de poder nas organizações - e não há organizações se não houver poder e se não houver alguém a exercê-lo -  e a outra vertente humanística do funcionamento das organizações. E o que acontece aqui - ao contrário de Maquiavel que tinha outros interesses -, é que Fausto Marsol além de apresentar a vertente maquiavélica procura expor, vai discorrendo, sobre aquilo que seria a vertente humanista das organizações. Uma das grandes questões que se coloca hoje nas organizações tem exactamente a ver com o como adquirir o poder e como adquiri-lo rapidamente (...); mas o problema é que depois de o adquirir tem de pensar-se nas consequências do seu exercício e em mantê-lo. Como pode então actuar um Príncipe da Gestão? Na obra, esta questão, toda esta polémica, é matizada através de uma perspectiva, que o autor vai desenvolvendo - talvez pela sua formação em psicologia -, que oferece uma série de ideias, de orientações, de pistas, de reflexões, sobre como fazer para se poderem melhorar os resultados e se poderem minorar os efeitos da situação de exercício do poder.

Uma das coisas também abordadas - que é extremamente interessante - é a tomada de decisões. E é curioso como Maquiavel, neste aspecto, é extremamente avançado: esta é uma das questões do exercício do poder - o poder só se coloca porque é necessário tomar decisões -; uma das questões, então, consiste, precisamente, em terem de tomar-se determinado tipo de decisões que são inconvenientes. O que Maquiavel sugere é que o Príncipe deve ser capaz de optar pela alternativa que for menos inconveniente - e Fausto Marsol depois desenvolve isto de uma forma muito interessante. O que é aqui avançado? A teoria da racionalidade limitada, que só aparece em 1955, mas que já estava no Príncipe de Maquiavel. Isso é palpitante de actualidade (...), porque a maioria das decisões são tomadas não porque sejam as melhores, mas porque são as menos inconvenientes."

A leitura do livro é muito interessante, até do ponto de vista científico, apesar de ser descritivo: ele corresponde, numa boa parte, ao que é o pensamento actual sobre as organizações.

Apesar de haver uma ideia diferente, é bom lembrar que uma boa parte daquilo que se pode chamar de maquiavélico está mais nos olhos de quem vê do que nos actos de quem faz.

A ideia deste livro é de tal maneira original que eu penso que, por um lado, não deve ficar por aqui: Fausto Marsol deve, dentro de um ano ou dois, produzir novas obras do mesmo teor; por outro lado, eu penso que é indispensável que este livro seja imediatamente traduzido pelo menos para inglês." - Extracto da Apresentação de António Caetano, Catedrático de Psicologia Social, Professor do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa, no Instituto Superior de Gestão (Lisboa), em 15 de Novembro de 2005.

 

Avelino de Jesus:

"Esta abordagem é muito interessante: raramente se faz referência aos clássicos; cada livro que vai saindo pretende ser mais uma descoberta, mais uma moda na área da gestão, como se as coisas interessantes, neste campo como em outros, no essencial não tivessem já sido ditas. Fausto Marsol vai buscar um clássico (...) o que é muito importante: pensar nos problemas da actualidade a partir dos raciocínios e reflexões que outros já fizeram. É essencial que isto seja feito.

"Perguntarão algumas pessoas, que passaram por Maquiavel de uma forma muito rápida, se ele não será um pouco amoral, quando hoje, na gestão, se tenta sublinhar a importância da ética; se fosse assim, Fausto Marsol não teria esta abordagem, já que a sua perspectiva é completamente diferente.

Eu vejo no livro arte e poesia e gostaria de fazer aqui uma referência a John Hicks, prémio Nobel de Economia de 1972, falecido em 1989, e que, no fim da vida, encetou uma procura, junto dos grandes filósofos, de critérios que lhe permitissem escolher, entre as diversas teorias económicas, a certa e a errada. Acabou por rejeitar todos os filósofos tomando esta posição: na economia, como seria hoje na gestão, as coisas põem-se como se põem na arte, isto é: não existem apenas aspectos científicos e de rigor, mas também aspectos artísticos - que não só contam, como são até aqueles que mais importam. E estes aspectos estão presentes na obra de Fausto Marsol.

Eu vejo neste livro uma interpretação poética dos conceitos da gestão e isso agrada-me sobremaneira. O que mais me interessa sublinhar, o que mais me comove neste livro, é o forte cunho pessoal, o forte investimento na interpretação própria, a sensibilidade; é isto que eu gostaria de realçar, independentemente das contribuições de carácter científico, que também tem."- Extracto da Apresentação de Avelino de Jesus, Catedrático de Economia, Director do Instituto Superior de Gestão (Lisboa), em 15 de Novembro de 2005.

 

Manuel Ferreira De Oliveira

"Quando recebi o original pensei: este homem é atrevido. (...) Fausto Marsol tentou trazer para os nossos tempos o pensamento de Maquiavel e preencher os espaços que detectou na obra que o inspirou, procurando fazê-lo numa linha de continuidade - e aqui está o atrevimento. (...) Quem não conhecer Maquiavel e ler O Príncipe da Gestão pode pensar que o autor se limita a transpor para os dias de hoje o pensamento de Maquiavel, mas a obra vai muito mais longe do que isso.

É minha opinião que é na execução que se diferenciam as empresas. Formular estratégias de crescimento e competitivas é imprescindível. Não é, contudo, na formulação que a grande parte das empresas falham; é na execução com qualidade e rigor que muitas empresas ficam pelo caminho. (…) O mercado de livros de gestão está repleto de publicações que nos procuram ensinar o que fazer; são poucos os autores que dão um passo em frente. Fausto Marsol, ao apoiar-se em Maquiavel, entra claramente no domínio pragmático da gestão, oferecendo a sua contribuição para o como fazer. (…) Os leitores saberão julgar dos méritos deste esforço; da minha parte aqui ficam as minhas felicitações por uma iniciativa ambiciosa e difícil.” - Extracto da Apresentação de Manuel Ferreira De Oliveira, Engenheiro, actual CEO da Galp Energia, na Escola de Gestão do Porto, em 9 de Novembro de 2005.