Mais do que gaivota

Há uma nostalgia que me invade,
um sentimento de perda,
de não vivência,
são cores da vida que se esbatem – às vezes.
Como gaivotas loucas esvoaçando
num vaivém frenético,
entre mar e terra,
entre ondas de marés – enchentes-vazantes –
e areias volúveis de dunas instáveis.
Que importa quem partiu, se tu ou eu?
Sei que só, no areal, mais do que gaivota
quisera ser ave migrante de regresso anunciado
a estações constantes do teu peito
em primavera perene.
São bandos de gaivotas ofuscando-me o céu
em desafio… e eu sem conseguir voar!
© Fausto Marsol


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Más que gaviota

Hay una nostalgia que me invade,
un sentimiento de pérdida,
de no vivir,
son colores de la vida que desvanecen - a veces.
Como gaviotas locas que flotan
en un vaivén frenético,
entre mar y tierra,
entre olas de mareas – vaciantes-llenantes -
y arenas volubles de dunas inestables.
¿Qué importa quién partió, si tú o yo?
Sé que sólo, en el arenal, más de que gaviota
quisiera ser ave migrante de regreso anunciando
a estaciones constantes de tu pecho
en primavera perenne.
Son bandadas de gaviotas ofuscándome el cielo
en desafío ... y yo sin conseguir volar!
© Fausto Marsol

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Palabras de Verano

Hay ya un cansancio en el gesto, un desaliento.
Aceché los cajones de las palabras de verano:
arregladas con desvelo, exhalaban un olor mohoso
de cosas zurcidas por la vida;
y les noté manchas herrumbrosas del desuso.

Me dicen, sin embargo, que llegado el tiempo todo renace,
botones perfumados de frutos por venir se revelan;
que el aire se vuelve más transparente y cálido
y aves migratorias regresan por entre mariposas,
antes crisálidas dentro de hilos entretejidos.

A veces, por un momento tan solo, sueño:
tal vez una primavera florezca,
un vuelo colorido se dibuje sobre el cielo;
un canto se anida en la calentura de este pecho,
entre las ramas sedientas de mis brazos.

Cerré el cajón de mansedumbre, con cuidado
(no quise amanojar la esperanza);
y de nuevo los afectos
que las palabras querian susurrar.

Fausto Marsol (escrito el 21/11/03, revisitado el 14/02/15) © Derechos reservados. Reproducción / copia prohibida.


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Palavras de Verão

Há já um cansaço no gesto, um desalento.
Espreitei as gavetas das palavras de verão:
arrumadas com desvelo, exalavam um cheiro bafiento
de coisas passajadas pela vida;
e notei-lhes manchas ferrugentas do desuso.

Dizem-me porém que chegado o tempo tudo renasce,
botões perfumados de frutos por vir se revelam;
que o ar se torna mais transparente e cálido
e aves migrantes regressam por entre borboletas,
antes crisálidas dentro de fios entretecidos.

Às vezes, por um momento tão só, sonho:
talvez ainda uma primavera floresça,
um voo colorido se desenhe sobre o céu;
e um canto se aninhe na quentura deste peito,
por entre os ramos sedentos dos meus braços.

Fechei a gaveta de mansinho, com cuidado
(não quis amachucar a esperança);
e de novo os afectos
que as palavras queriam sussurrar.

Fausto Marsol (escrito em 21/11/03, revisitado em 14/02/15) © Direitos reservados. Reprodução / partilha interdita.
 

 

De todas las flores que he cogido,
de todos los ramos que he ofrecido,
de todas las mujeres que he tenido
o que quise tener,
de todas las mujeres por quienes fui querido
o quise que me quisieran,
de todas las veces que amé
o que quise ser amado,
- de todas,
de todas mismo! -,
de todas las bellezas que contemplé,
de todos los olores que me impregnaron la casa,
de todas las pieles que toqué,
de todos los cuerpos por donde paseé mis dedos,
de todos los puntos que mis labios húmedos tocaron,
de todos los ays que di,
de todos los gemidos de placer que hice soltar,
de todos los ojos que me fascinaron,
de todas las bocas que me iluminaron palabras,
de todas las lenguas que en la mía se acariciaron,
de todos los placeres que tuve
o he hecho tener,
de todo lo que puedas imaginar que hice
o que podía haber hecho,
de todo,
de todo,
nada temas
o lamentes!
Ven,
trae contigo tu historia,
vivencias,
placeres pasados,
recuerdos,
eventuales frustraciones.
Ven,
tráete todo,
¡viene entera!
Aquí te espero:
nada de lo que pasó será comparable,
ni siquiera hasta parecido,
a lo que juntos vamos a vivir.
En el día en que llegues,
Que me tarda la espera.

© Fausto Marsol (escrito en 25/9/14 y revisitado en 1/8/17). Derechos reservados sobre texto e imagen. Copia no autorizada.
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De todas as flores que colhi,
de todas os ramos que ofereci,
de todas as mulheres que tive
ou que quis ter,
de todas as mulheres por quem fui querido
ou quis que me quisessem,
de todos as vezes que amei
ou que quis ser amado,
- de todas,
de todas mesmo! -,
de todas as belezas que contemplei,
de todos os odores que me impregnaram a casa,
de todas as peles que toquei,
de todos os corpos por onde passeei os meus dedos,
de todos os pontos em toquei com os meus lábios húmidos,
de todos os ais que dei,
de todos os gemidos de prazer que fiz soltar,
de todos os olhos que me fascinaram,
de todas as bocas que me iluminaram palavras,
de todas as línguas que na minha se afagaram,
de todos os prazeres que tive
ou fiz ter,
de tudo o possas imaginar que fiz
ou que podia ter feito,
de tudo,
de tudo mesmo,
nada temas
ou lamentes!
Vem,
traz contigo a tua história,
vivências,
prazeres passados,
recordações,
eventuais frustrações.
Vem,
traz tudo,
vem inteira!
Aqui te aguardo:
nada do que passou será comparável,
sequer parecido até,
ao que juntos iremos viver.
Quando um dia chegares,
que me tarda a espera.

© Fausto Marsol (escrito em 25/9/14 e revisitado em 1/8/17). Direitos reservados sobre texto e imagem. Cópia não autorizada.
 

 

 

 

É quando à noite percorro
memórias,
caminhos de vivências,
e encontro ramos expostos
de emoções passadas,
que melhor entendo
a magia
fugaz dos momentos.
Suspendo-me
na espera:
um dia - um dia,
eu sei! -,
ainda hei-de construir
um jardim de afectos,
uma colecção de momentos,
de um motivo-modelo
único.
Deambulo,
cansado.
Vagueio
numa ausência de rumo,
numa falta sentida,
dorida,
de quem me faça deter.

© Fausto Marsol (13/1/14). Direitos reservados sobre texto e imagem. Partilha não autorizada.

 

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Es cuando por la noche recorro
memorias,
caminos de vivencias,
y encuentro ramas expuestas
de emociones pasadas,
que mejor entiendo
la magia
fugaz de los momentos.
Suspéndome
en la espera:
un día - un día,
¡lo se! -, -,
aún voy a construir
un jardín de afectos,
una colección de momentos,
de un motivo modelo
único.
Deambulo,
cansado.
Vagueo
en una ausencia de rumbo,
en una falta sentida,
dolorido,
de quien me haga detener.

© Fausto Marsol (13/1/14). Derechos reservados sobre texto y imagen.