As portas que Abril…

As portas que Abril abriu,
cantava o poeta Ary dos Santos
– que nos valham.
Que portas?!
Abril?!
Abriu?!
As portas que Abril abriu
por onde arrivistas, flibusteiros,
políticos de pacotilha e
outra fauna de animais sócio-exóticos entrou?
Sinto as águas infestadas
de sanguessugas humanas,
de maledicentes,
de reivindicativos oportunistas,
de pedintes encartados de gentalha de dedo apontado ao outro.
E de mão estendida – sempre.
E as portas que Abril não abriu?
Que portas Abril não abriu?!
Ora,
as portas da sabedoria sábia a rodos,
da justiça justa farta,
do desenvolvimento uniformemente distribuído,
da criação equilibrada de riqueza,
da saúde sã acessível.
E as portas à gente que não cresceu,
à gente que chapinha em águas de liberdade –sem perceber que o diluvio espreita
carregado de lama, qual enxurrada.
As portas que Abril não abriu!
Fausto Marsol