Certa Presença

Ouço no silêncioo canto de aves ainda não despertascomo a voz me chega.Vejo no escuroo esboço de caríciascomo o afecto me toca.Sinto na lonjurao perfume da flor por abrircomo o corpo se me oferece.É esta ilusão de ausênciaeste vago refúgioesta distância.Aguardono silênciono escurona lonjura.Segurona ausênciano refúgiona distância.Sem vir estás jána antecipação de uma chegada.Certa.© Fausto Marsol. (Escrito em 10.12.07. Revisitado em 18.11.18. Foto: Parque das Conchas, 8.11.18)