Maquiavel para Gestores Contemporâneos

Ensaio (gestão)

Fausto Marsol ©

1ª Edição RH Editora, 2005; 2ª Edição Bnomics, 2009; Edição espanhola Corona Borealis, 2009

Obra actualmente fora do mercado

Nota do autor

Não o sendo de mais coisa nenhuma, costumo dizer que sou um militante da vida

e dentro da vastidão desta de algumas causas em particular.

Por outro lado, prezo tanto a minha liberdade que me mantenho o mais afastado que consigo

de tudo o que possa comprometer a minha independência – sobretudo de pensamento.

Faço questão de não aceitar subordinações ideológicas, nem disciplinas para além da do trabalho e da cívica,

baseada nos princípios que me norteiam.

Não estou interessado em integrar correntes – constituídas ou não em grupos, formais ou informais

– e, embora adore o mar e o seus movimentos, não tenho qualquer apetência pelo surf,

não me sentindo assim pressionado a andar na crista da onda

- exercício demasiado efémero e individualista para me atrair.

E a propósito de águas, há muito aprendi que entre cada maré só o que tem peso e consistência permanece;

tudo o resto é tragado pela voragem das sucessivas ondas.

.E assim sendo, pode imaginar-se o prazer que me deu pegar numa obra com mais de 500 anos

(“O Príncipe” de Maquiavel, escrita em 1513),

plena ainda de actualidade, desconstruí-la toda, reinterpretá-la e reorganizar os pensamentos de Maquiavel

adaptando-os à gestão e aos tempos actuais, aos quais acrescentei também um quanto da minha lavra.


Para os hábitos correntes, comecei cedo a minha vida profissional,

tendo experimentado, ao longo destes 35 anos, o trabalho por conta de outrem

(em 5 empresas, pequenas e grandes, nacionais e multinacionais),

a actividade de empresário (16 anos) e a de consultor (desenvolvimento organizacional e pessoal, há um ror de tempo),

orgulhando-me de ter colaborado com várias excelentes organizações.

Em paralelo, licenciei-me (em psicologia) e frequentei dezenas de formações (em Portugal e no estrangeiro),

aliando assim à prática a teoria.

Creio, por isso, ter alguma legitimidade para afirmar que a qualidade da gestão em Portugal é baixa

– de resto, em concordância com as conclusões dos gestores e académicos (e eram cerca de 500)

que se reunirem em Fevereiro (2004) no Beato, num encontro denominado Compromisso Portugal

(“A qualidade da gestão em Portugal é, de modo geral, baixa, seja nas empresas, no Estado, nos Clubes,

nas Associações, nos Tribunais, etc.” - é dito nas conclusões do Encontro).


Numa entrevista dada ao Expresso, em 18 de Fevereiro deste ano (2005), Ernâni Lopes

– um dos mais reputados economistas portugueses – dizia:

“Enquanto a única vocação for trabalhar menos e receber mais, não vamos a lado nenhum. Porque o problema não está no salário, nem no custo,

nem no mercado, nem no preço. Está na cabeça das pessoas. Este padrão de total desprezo pelo esforço, pelo sentimento de responsabilidade,

esta atitude de facilitismo, é um assassínio. Mata qualquer economia.”

Portanto, em Portugal, o que parece termos é um problema de cultura, um défice atitudinal. E é curioso que Ernâni Lopes tenha utilizado

a expressão padrão, que, em termos comportamentais, é induzido pelas figuras de poder, através de um processo inconsciente de imitação

(“Bem prega frei Tomás…). O que, transposto para as organizações, nos remete para as lideranças

– note-se que falei em lideranças e não em liderança -, que induzem o padrão,

e para a cultura organizacional, que é a matriz em que os efectivos se movem.


Sendo um homem de empresa, e muito descrente sobre a qualidade dos políticos e da política

– como, estou em crer, uma boa parte da população -, situei-me nas empresas;

mas o que digo em Como Tornar-se Príncipe da Gestão – de resto, à semelhança Maquiavel -,

em grande medida, aplica-se a muitos aspectos da vida quotidiana.


No início disse ser um militante da vida: pois a escrita enquadra-se nessa minha faceta

e, assim, Maquiavel para Gestores Contemporâneos – Como Tornar-se Príncipe da Gestão pretende ser um contributo

para a causa da necessária melhoria da gestão, consciente da minha pequenez: por mim pouco posso, se não tiver aliados.

A gestão, as empresas, a economia, a sociedade mudará na medida em que cada um de nós mudar – mudando as coisas que fazem mudar. Verdadeiramente. Porque, como digo na minha obra,

“Quando o caudal é suficiente, nenhuma corrente deixa de cumprir o seu destino.”

Comentários

Daniel Bessa,

Pres. Escola de Gestão do Porto, ex-Ministro da Economia, Comentador

É um livro profundamente ético.

"É um livro profundamente ético. (…) O livro tem um enredo (...) em que a certa altura nós nos vemos transpostos de considerações de índole mais ou menos filosófica sobre o homem e natureza humana para um campo que é mais e mais aplicado às situações da gestão e às situações dos dias de hoje. (…) O texto começa muito ligado a uma perspectiva filosófica e vai-se progressivamente aproximando da gestão (...); o texto vai-se libertando de Maquiavel e o autor emergindo mais e mais e assim mais se mostrando. (...) É uma forma de escrita absolutamente diferente, deliciosa, muito interpelativa - que é um traço distintivo que se mantém durante toda a obra -; é uma agradável surpresa!


Há no livro imagens que são deliciosas: a dos dinossauros (...), a das abelhas - pelo que elas simbolizam - (...), a dos relação entre as empresas e os seus clientes.

Eu aprendi muito, gostei de ler a obra e foi-me extremamente útil. Convido-vos a ler Maquiavel para Gestores Contemporâneos – Como Tornar-se Príncipe da Gestão por cinco ou seis razões: pela obra no seu conjunto; por Maquiavel; pelo estilo muito criativo, que eu acho delicioso; e por três ou quatro episódios, imperdíveis, de que tenho certeza absoluta que, por muitos anos que viva, não irei deixar nunca de me lembrar." - Extracto da Apresentação de Daniel Bessa, da 1º Edição da obra, em 9 de Novembro de 2005, na Escola de Gestão do Porto.

Antonio Caetano,

Psicólogo, Professor do ISCTE, Investigador

A ideia deste livro é de tal maneira original que eu penso que, por um lado, não deve ficar por aqui: Fausto Marsol deve, dentro de um ano ou dois, produzir novas obras do mesmo teor; por outro lado, eu penso que é indispensável que este livro seja imediatamente traduzido pelo menos para inglês.

"Antes de mais, trata-se de um livro original e, como diria Garrett, palpitante de actualidade. E a própria leitura do livro é extremamente aliciante, é um prazer lê-lo, tem um ritmo de leitura agradável e um estilo muito interessante que, como diria Pessoa, ao princípio se estranha e depois se entranha. Para além de Príncipe da Gestão, em boa medida, este livro poderia chamar-se Príncipe da Originalidade porque, apesar de se basear no Maquiavel e de dele se alimentar - talvez 20% seja de Maquiavel -, é extremamente original na forma como se desenvolve - além de actualizar uma série de aspectos a que, obviamente, Maquiavel não se refere, dando continuidade ao Príncipe.


Ao longo do texto, o autor, vai desmontando umas quantas das principais práticas de gestão - que poderíamos chamar modas -, que se têm vindo a generalizar nos últimos anos (...), como a do outsourcing, por exemplo, que, neste momento, algumas empresas já começaram a questionar, embora a maioria ainda continue nessa onda. Numa leitura global do livro, eu diria que o que nós temos é, acima de tudo, a expressão do que eu chamaria uma dialéctica entre a vertente maquiavélica e de poder nas organizações - e não há organizações se não houver poder e se não houver alguém a exercê-lo - e a outra vertente humanística do funcionamento das organizações. E o que acontece aqui - ao contrário de Maquiavel que tinha outros interesses -, é que Fausto Marsol além de apresentar a vertente maquiavélica procura expor, vai discorrendo, sobre aquilo que seria a vertente humanista das organizações.

Uma das coisas também abordadas - que é extremamente interessante - é a tomada de decisões. E é curioso como Maquiavel, neste aspecto, é extremamente avançado: esta é uma das questões do exercício do poder - o poder só se coloca porque é necessário tomar decisões -; uma das questões, então, consiste, precisamente, em terem de tomar-se determinado tipo de decisões que são inconvenientes. O que Maquiavel sugere é que o Príncipe deve ser capaz de optar pela alternativa que for menos inconveniente - e Fausto Marsol depois desenvolve isto de uma forma muito interessante. O que é aqui avançado? A teoria da racionalidade limitada, que só aparece em 1955, mas que já estava no Príncipe de Maquiavel. Isso é palpitante de actualidade (...), porque a maioria das decisões são tomadas não porque sejam as melhores, mas porque são as menos inconvenientes.


A leitura do livro é muito interessante, até do ponto de vista científico, apesar de ser descritivo: ele corresponde muito ao que é o pensamento actual sobre as organizações. Apesar de haver uma ideia diferente, é bom lembrar que uma boa parte daquilo que se pode chamar de maquiavélico está mais nos olhos de quem vê do que nos actos de quem faz.


A ideia deste livro é de tal maneira original que eu penso que, por um lado, não deve ficar por aqui: Fausto Marsol deve, dentro de um ano ou dois, produzir novas obras do mesmo teor; por outro lado, eu penso que é indispensável que este livro seja imediatamente traduzido pelo menos para inglês." - Extracto da apresentação da obra no Instituto Superior de Gestão (Lisboa), em 15 de Novembro de 2005.

Avelino de Jesus,

Economista ,

Director do Inst. Superior de Gestão (Lisboa)

Eu vejo neste livro uma interpretação poética dos conceitos da gestão e isso agrada-me sobremaneira. O que mais me interessa sublinhar, o que mais me comove neste livro, é o forte cunho pessoal, o forte investimento na interpretação própria, a sensibilidade; é isto que eu gostaria de realçar, independentemente das contribuições de carácter científico, que também tem.

"Esta abordagem é muito interessante: raramente se faz referência aos clássicos; cada livro que vai saindo pretende ser mais uma descoberta, mais uma moda na área da gestão, como se as coisas interessantes, neste campo, como em outros, no essencial não tivessem já sido ditas. Fausto Marsol vai buscar um clássico (...) o que é muito importante: pensar nos problemas da actualidade a partir dos raciocínios e reflexões que outros já fizeram. É essencial que isto seja feito."Perguntarão algumas pessoas, que passaram por Maquiavel de uma forma muito rápida, se ele não será um pouco

amoral, quando hoje, na gestão, se tenta sublinhar a importância da ética; se fosse assim, Fausto Marsol não teria esta abordagem, já que a sua perspectiva é completamente diferente.

Eu vejo no livro arte e poesia e gostaria de fazer aqui uma referência a John Hicks, prémio Nobel de Economia de 1972, falecido em 1989, e que, no fim da vida, encetou uma procura, junto dos grandes filósofos, de critérios que lhe permitissem escolher, entre as diversas teorias económicas, a certa e a errada. Acabou por rejeitar todos os filósofos tomando esta posição: na economia, como seria hoje na gestão, as coisas põem-se como se põem na arte, isto é: não existem apenas aspectos científicos e de rigor, mas também aspectos artísticos - que não só contam, como são até aqueles que mais iimportam. E estes aspectos estão presentes na obra de Fausto Marsol.

Eu vejo neste livro uma interpretação poética dos conceitos da gestão e isso agrada-me sobremaneira. O que mais me interessa sublinhar, o que mais me comove neste livro, é o forte cunho pessoal, o forte investimento na interpretação própria, a sensibilidade; é isto que eu gostaria de realçar, independentemente das contribuições de carácter científico, que também tem." - Extracto da Apresentação no Instituto Superior, em 15 de Novembro de 2005.

João Duque,

Economista, Presidente do Inst. Sup. de Economia e Gestão (Lisboa), comentador

Ao contrário de muito do que lêem escrito por tantos desses gurus da moda, não darão o tempo por perdido (lendo o livro de Fausto Marsol) e ainda são desafiados a ler ou reler o original de Maquiavel.

“Chamasse-se ele Jack ou Michael e atirar-se-iam aos seus pés, chamando-lhes de gurus. Mas se se chamam Fausto e escrevem arrojadamente sobre um clássico da literatura de liderança e com base na sua experiência organizacional, o português tem uma certa tendência para o descartar. Fazem mal, porém, os que assim reagem perante o livro escrito pelo Fausto Marsol, intitulado "Maquiavel para Gestores Contemporâneos. (…) Vão ver que, ao contrário de muito do que lêem escrito por tantos desses gurus da moda, não darão o tempo por perdido e ainda são desafiados a ler ou reler o original de Maquiavel.” – Extracto do Artigo sobre a obra, publicado no D. Económico de 24/9/09.

M. Ferreira De Oliveira,

Gestor, ao tempo CEO da Galp

Quando recebi o original pensei: este homem é atrevido.

O mercado de livros de gestão está repleto de publicações que nos procuram ensinar o que fazer; são poucos os autores que dão um passo em frente. Fausto Marsol, ao apoiar-se em Maquiavel, entra claramente no domínio pragmático da gestão, oferecendo a sua contribuição para o como fazer.

"Quando recebi o original pensei: este homem é atrevido.

Fausto Marsol tentou trazer para os nossos tempos o pensamento de Maquiavel e preencher os espaços que detectou na obra que o inspirou, procurando fazê-lo numa linha de continuidade - e aqui está o atrevimento. (...) Quem não conhecer Maquiavel e ler Maquiavel para Gestores Contemporâneos- Como Tornar-se Príncipe da Gestão pode pensar que o autor se limita a transpor para os dias de hoje o pensamento de Maquiavel, mas a obra vai muito mais longe do que isso.


É minha opinião que é na execução que se diferenciam as empresas. Formular estratégias de crescimento e competitivas é imprescindível. Não é, contudo, na formulação que a grande parte das empresas falham; é na execução com qualidade e rigor que muitas empresas ficam pelo caminho. (…) O mercado de livros de gestão está repleto de publicações que nos procuram ensinar o que fazer; são poucos os autores que dão um passo em frente.

Fausto Marsol, ao apoiar-se em Maquiavel, entra claramente no domínio pragmático da gestão, oferecendo a sua contribuição para o como fazer. (…) Os

leitores saberão julgar dos méritos deste esforço; da minha parte aqui ficam as minhas felicitações por uma iniciativa ambiciosa e difícil.” - Extracto da

Apresentação na Escola de Gestão do Porto, em 9 de Novembro de 2005.

Leitor anónimo,

identificado apenas como Sociólogo, Portugal

Autêntica obra de arte e manual de saber estar nas empresas

“Li o livro de Fausto Marsol e achei excelente! Autêntica obra de arte e manual de saber estar nas empresas no seu aspecto multidimensional. Analogias precisas com a obra de Maquiavel, ilustrando de forma iluminada os cenários da envolvente interna e externa das organizações. Sem exagero... cada capítulo lido vale por uma pós-graduação.” – Semanário Económico, 24/09/09

Jornal de Negócios, 26.03.09

‘Como tornar-se príncipe da gestão’ é a chave de entrada no livro. Marsol recupera Maquiavel, que diz ser um autor ‘muito mal amado’, e parte dos seus ensinamentos para contextualizar o que se passa hoje. ‘É um livro profundamente ético’, comenta Daniel Bessa.

Nos tempos que correm, onde os prémios dos gestores se converteram num rastilho de pólvora capaz de fazer explodir tensões sociais, surge muito a propósito a reflexão de Fausto Marsol. "Vejo por demais candidatos a Príncipes - que digo, só se das trevas da usurpação o forem - ostentando riqueza e as suas empresas pobres e descapitalizadas afundando-se no mar revolto da competição, mas em que apenas aqueles que da sua tripulação são menores naufragam", sustenta o autor de Maquiavel para Gestores Contemporâneos.


‘Como tornar-se príncipe da gestão’ é a chave de entrada no livro. Marsol recupera Maquiavel, que diz ser um autor ‘muito mal amado’, e parte dos seus ensinamentos para contextualizar o que se passa hoje. ‘É um livro profundamente ético’, comenta Daniel Bessa.


E como ser um príncipe da gestão? ‘Assume-te sem rebuços como um ser superior, um daqueles que tanto escasseiam (...) não no sentido artificial da arrogância ou da sobranceria dos que não sendo querem parecer, mas na humildade dos que não querendo ser sabem que apenas se consegue esse estatuto pela superioridade comprovada das suas qualidades, materializada em pensamentos e actos, que todas possam comprovar’, responde Marsol.